Coluna semanal.

Responda rápido. Quem rouba mais? Quem mete mais a mão no bolso do cidadão, um assaltante armado ou um gestor público corrupto? Difícil, esta. O que é pior, perder os últimos trocados da carteira, ou o filho, jogado no corredor de um hospital público, sem atendimento? Qual a diferença entre bandidos que se reúnem para sugar os cofres públicos e os traficantes que se entrincheiram na favela? Quem destrói mais a nossa juventude? Que diferença moral há entre uma licitação fradulenta e o assalto a banco? Canetas ou fuzis? Quem, de verdade, faz o crime organizado neste país?
No Rio, aplaude-se uma ocupação policial intensa - e de fato necessária - numa favela do Realengo. Junto a esta ocupação, finalmente descobriram que é necessário investir na presença do Estado naquelas localidades. Sáude, habitação, esgoto, educação e por aí vai. Não adianta mandar só a polícia fazer guerra na periferia. Tem que dar cidadania. Oportunidade, caminho e perspectiva. Auto-estima. Mas a humanidade é assim. Demora para ver o óbvio. Levou milênios para desconfiar que a terra é redonda, então, para se tocar que dinheiro público é do povo, talvez demore muito mais.
Bela política de segurança pública, dizem alguns. Talvez. Mas tem mais mosca nessa sopa. Não é só favela que precisa ser ocupada pela polícia. Tem palácio e condomínio de luxo carecendo de uma ação vigorosa em defesa da sociedade. Quando se prende pobre, multa pobre, caça pobre, aplausos. Agora, quero ver confiscar a cumbuca dos donos do poder. Aí a vaca vai pro brejo. E a ratazana também. Fim da polícia bacana. Valorosa. Comunitária. Vem ministro, governadora, senador, deputado e comentarista da perna cruzada dizer que policial só quer aparecer. O Ministério Público quer dar show. Que, ah, não precisa prender, nem algemar, nem mostrar para a população, ó, estes são os que roubam vocês. Ladrão de galinha, tudo bem. Pode mostrar o tipo escabelado, faminto, pisoteado pelo sistema. E chamá-lo lo de meliante. Homens de terno e gravata importada não. Esses merecem respeito. Mesmo que não respeitem nem a mãe deles. Enfim, algema em pulso de miserável é eficiência. Em pulso de ouro, é abuso.
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