(na foto acima, a Professora Izabel, numa matéria que o jornal fez sobre os 100 anos da Estação)
Dia desses, reencontrei uma professora muito especial. Maria Izabel Funk Nonemacher. Ela é a culpada de, hoje, eu escrever assim. Insistentemente. E tudo começou num embate. Não que eu fosse um mau aluno, mas era dos que sentam no fundo da sala. Sabe como é. Um dia matei aula para jogar bola. Havia uma redação para entregar e a deixei com um colega. Meu erro. Izabel leu e até gostou. Mas me deu zero.
Zero! E meu time ainda perdeu o jogo. Na aula seguinte, implorei para que ela acreditasse que a redação era minha. Izabel julgava que eu tinha dado para alguém fazer. Simples: eu era um aluno do fundão. Que matava aula para jogar bola. Desarmado, a desafiei: redigiria um texto ali, na sua frente, e o faria melhor que o outro. Para meu desespero, ela aceitou. Suei frio, tremi, tive dor de barriga. Mas fiz. E ela, ufa!, gostou.
Virou uma amiga, espécie de irmã mais velha no São João. Na construção literária, apoiou, ensinou estilos, lapidou textos, encurtou frases e dispensou palavras. Inscreveu-me em concursos - num fui premiado, noutro venceu um texto que ela descobriu ser plágio do Sabino. Pegou meu primeiro poema, "A Menina da Janela", puro romantismo juvenil, e disse que até estava bom. Mas não precisava enfiar panelas e cadelas banguelas nos versos só para rimar com o título. Anos depois, no meu primeiro prêmio literário, lembrei dela. A Izabel. Que chegou até a me dar a dica: um novo jornal abriria na cidade, quem sabe eu não tentava um emprego, já que queria cursar jornalismo e gostava de escrever. A vida me levou para outro lado. Porém, aqui estou, escrevendo justamente onde ela cogitou me ver um dia. Profética, a Mestra. Que disse ao aluno do fundão que ninguém precisa parecer nada. Tem é que, de fato, ser.
Foram milhares de alunos e talvez ela nem lembre nada disso. Mas foi muito bom reencontrá-la. Fiquei meio emotivo nesta coluna e vou remediar me torturando com o teipe do Inter na final da semana passada. Pior é revisar a coluna mil vezes. Vai que ela leia. E, definitivamente, se frustre com seu trabalho. Ou uma manifestação de leitores que me odeiam acampe no seu pátio, julgando-a culpada. E é. Definitivamente, ela é a maior culpada.
2 comentários:
Eaí, mas q bala seu texto hoje!! Ao estilo Paulo Sant'ana!! Foi o q qualquer professor merece. Respeito. Parabéns pelo texto!! Foi demais!
Abraços e lembranças!
Oi Oscar!
Adorei a crônica de hoje sobre a Prof. Maria Izabel. Ela é uma grande mentora para mim, que também era "do fundão". Me identifiquei muito com teu texto. Linda e merecida homenagem à nossa querida Izabel. Parabéns, meu amigo, pela sensibilidade!
Bjs
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