Criaturas Crônicas

Crônicas e artigos publicados pelo escritor Oscar Bessi Filho.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Rodízio na Cabeça

Jornal Ibiá, edição de quinta-feira, 04 de junho de 2009.

Nós, brasileiros, somos inteligentes demais. O berço da sabedoria humana. Filosofia grega, papiros de Alexandria, franceses com suas revoluções e biquinhos nos Cafés? Papo-furado. Nós é que somos os caras. A terra onde se plantando tudo dá, basta ter amigo na Comissão do Orçamento. Somos fenômenos. Nem todos gordos ou com esquisitices sexuais, mas fenômenos. Vemos o que ninguém vê. Metemos a mão onde ninguém imagina. Adoramos a Lacraia e a Tati Quebra-barraco. Temos cerveja sem álcool e outras descobertas fantásticas que, na verdade, a gente nunca entende ao certo para que servem. Mas adota. Como novela das oito. Enche a paciência, não diz nada com nada, mas nos prende. E nos faz esperar por mais, mesmo pressentindo que, ih, ali tem. É que confiamos no nosso taco. Na nossa inflação zero com preços que parecem quadruplicar na etiqueta. Mas só parecem. Pura inteligência brasileira.

E somos tão inteligentes que em breve precisaremos de um rodízio em nossos privilegiados neurônios. Os atuais devem estar cansados. De mais a mais, amamos rodízio. De pizza, então, nem se fala. No Congresso, na Assembléia, num palácio ou pátio qualquer, dê-lhe pizza. E rodízio. A nova paixão nacional depois do futebol, dinheiro fácil e retaguarda feminina. São Paulo descobriu o caos no trânsito. Construir, mudar? Para quê, se dava para fazer rodízio de placas? Muito inteligente. Agora é esse caos penitenciário. Tudo caindo. E cada vez mais crimes, mais violência, mais presos. Solução? Rodízio de presos. Bingo! Falta acertar o rodízio das vítimas. O cidadão veste determinada cor para mostrar que é dia de ser poupado. Outra para liberar os ataques da bandidagem. Assim vai. Ótimo. Talvez caiba, também, o rodízio de crimes. Uma espécie de cardápio ao cidadão. Segunda temos assalto ao meio-dia, terça tráfico com furto na sobremesa, nas quartas shows especiais para corruptos namorarem e petiscarem com suas verbas. Magnífico. Por que arrumar a caixa d’água que vaza, se podemos fazer rodízio nos baldes embaixo? Somos muito inteligentes. Só falta descobrir como se faz rodízio de futuro. Porque, confesso, eu quero outro.

5 comentários:

Ciríaco Caetano Filho disse...

Bom dia, Oscar!

Temo me tornar repetitivo, mas a coluna de hoje, novamente, foi excepcional.
Atingiste a maturidade, meu caro, nelas; basta, como eu disse, que a Zero Hora te descubra, e quem sabe, em breve, estaremos te lendo na última página da Veja.

Teu texto está enxuto e erudito como o do Pompeu de Toledo, com a fluencia do David Coimbra, e uma certa amargura e desencanto da Lia Luft.

CARMEN ELISE JACOBSEN OLSSON disse...

Prezado Sr. Capitão e escritor OSCAR BESSI
Eu sou Carmen Elise, professora municipal e assídua leitora de sua coluna desde que escrevias no Fato Novo. Quando escrevia lá e agora no Jornal Ibiá a primeira coluna que procuro, leio e recorto e coloco numa caixa são as suas. Como estou atualmente na Biblioteca da escola, mostro aos alunos, conversamos sobre elas, algumas xeroco e coloco na sala dos professores.
Tenho um aluno da 6ª série que outrora fora meu aluno na Pré escola e na 2ª série que há dias me cobra para que eu vá num posto de gasolina daqui da via 2 comprar um livro seu, mas vou nas livrarias, porque me parece que o senhor escreveu mais de um. Vou me inteirar do assunto. Portanto, o que quero expor é que agora estou tentando me entender com a infomática e estou tendo mais "coragem de explorá-lo", tanto que este é o 3º e-mail que estou tentando enviá-lo e espero que o senhor o receba. O 1º enviei a uma colega para testar se ela receberia e o recebeu, isso foi a dias atrás, hoje estou tentando mandar e-mail ao senhor que penso ser um ótimo escritor e capitão e anteriormente tentei mandar para o Sr. Paulo Santana colunista do Jornal Zero hora pois adoro ler a coluna dele, não sei se chegou lá.

Quero imensamente expor algumas considerações sobre um texto que o Sr. escreveu em 16-04-09 com o título: PROFESSORES NA LINHA VERMELHA. Me causou forte emoção, lí, reli, mostrei as colegas, chorei muito, foi triste, mas muito bem colocado, xeroquei-o e colei num caderno pessoal que colo e releio às vezes e esse texto até hoje relendo-o me emocionou.
Espero que um dia, possamos nos sentirmos valorizados, respeitados como professores como éramos em 1981 quando comecei a lecionar em escolas estaduais de São Bernardo do Campo - SP de onde vim há 23 anos, pois receio que se a situação para o nosso lado piorar ninguém terá coragem de ser professor. E aí é que não sei como será a Educação nesse país, pois hoje há muitas outras profissões com melhores ambientes de trabalho, com respeito, melhores salários, onde o profissional não fica sobrecarregado com tantas atribuições, comprometimentos onde o que realmente importa, que é formar cidadãos de bem, com algum conhecimento para levá-los a ter uma vida digna parece que está se perdendo e o que pior parece que estão todos perdidos, alunos, administradores, professores, orientadores enfim, incluindo a unidade familiar que parece que se distancia a cada dia de seus filhos não os ensinando os valores básicos de moral, bons modos, bons costumes e as crianças e adolescentes se sentem perdidos e procura se apoiar na escola mas de formas estranhas. Bem, espero não ter me alongado demais.
Encerro, agradecendo e desejando que continues os seus trabalhos tanto como escritor como capitão com a mesma maestria, sabedoria, coerência demonstradas até agora. Desejo-o PAZ, SUCESSO, SAÚDE, FORÇA para continuar .

Mônica Marin disse...

Parabéns pelas crônicas, gosto muiito!
Grande Beijo!

Douglas disse...

Eaí, não vou nem comentar (da coluna da ultima quinta) mas foi um belo rodizio
Abraços garoto!! Douglas

Cristiane Tain disse...

atualiza!atualiza!atualiza!atualiza!
beijão meu lindo!
te amo!!!