edição de quinta-feira, 25 de junho de 2009.
Estou quase me convencendo. A maioria deve ter razão. Eu estou errado, os especialistas em trânsito, os patrulheiros rodoviários, os legisladores. Os professores. Todos errados. Cinto de segurança não pode ser bom. Se a maioria não usa e o ignora em seus carros, devem estar certos. Os que o encaram, sei lá, como um enfeite, tipo bolinha contra estresse, chaveiro de porta, guardanapo diferente para limpar o nariz ou coisa que a valha. Parei no centro dia desses apenas para observar. A cada dez carros, em média oito passaram sem cinto. Se tivesse um talão de multas na hora faltaria papel. Mas eu estava de folga. De viatura não tem graça, o pessoal vê de longe, se ajeita, breca o carro no meio da rua e coloca o cinto às presas. Aquela coisa.Talvez o cinto de segurança seja só para isto mesmo, um policial ver. Tipo chamada para aluno Matão: responde e cai fora, basta fazer de conta que esteve em aula. Aprender é secundário. Impressionante. Talvez, nós, policiais, estejamos impressionados com os acidentes com que nos deparamos. Adultos e crianças mutilados, carros destroçados, famílias destruídas. Nada a ver. Tudo ilusão nossa. Cinto de segurança não faz falta, é o povo motorizado quem diz.
Uma estatística mostra que dois terços das vítimas de acidentes não usavam cinto. A maioria em veículos de passeio, no banco traseiro do carro, a mais de 60 km/h. Grande parte das crianças vitimadas, por outro lado, estavam no banco dianteiro. Com menos de nove anos e sofrendo traumatismo craniano. Um pecado. Agora, em alta velocidade, os casos mais comuns são os de capotamento. Aí, nem cinto adianta.
Então, se a maioria não quer saber de cinto, devem estar corretos. Como o guarda-chuva também não é necessário quando o tempo fica ruim e desaba aquele aguaceiro. Sujeito está na chuva, é para se molhar. Casaco contra o frio? Blusão, cachecol, poncho? Bobagem. Nada de se proteger. A moda é assumir os riscos. Enfrentar a vida. Nem que ela termine ali adiante. Ou os hospitais superlotem e quem precise fique sem atendimento. É de refletir. Afinal, somos educados demais. Longe de mim pensar que a maioria está errada.
1 comentários:
Muito boa crônica, de se refletir! beijão
Postar um comentário