Criaturas Crônicas

Crônicas e artigos publicados pelo escritor Oscar Bessi Filho.

Domingo, Maio 24, 2009

Cupins no Senado

Jornal Ibiá, Edição de quinta-feira, 26 de março de 2009.




Meu amigo, o Comissário Tavares, anda preocupado. O jeito que a coisa anda. Fosse só o crack, pra gente combater. Mas tem o Senado. É muita droga ao mesmo tempo. Uma vem por baixo, a outra por cima, e o cidadão vira presunto no sanduíche. Presunto que morre de fome, de vício e bala perdida. Traficantes e senadores, os carrascos do Brasil.
Dia desses apanhamos um ladrão que argumentou. Renan Calheiros solto e ele ali, algemado, só por causa de um som. Tá, um som, dois pares de tênis, três garrafas de uísque e um órgão sexual masculino de borracha. Que não era dele, se apressou em confessar. Não era dele. E abriu o jogo.
Revelando ser viciado em crack, jogou pedras para todos os lados. Fora funcionário do governo. E, antes de roubar dezoito televisões, via o noticiário. Sabia do esquema dos cupins. Um esquemão, revelou. Todo mundo ganhava. Prós e contras. Concursados, terceirizados e cargos acochambrados. O esquemão do cupim.
Começou na descoberta de um foco. Contrataram a dedetizadora do primo de um senador, que fez mil dedetizações durante um ano. Ninguém viu, mas fez. Tá no recibo e na rubrica federal. Os cupins não só ficaram, como multiplicaram. Decidiu-se, então, pagar auxílio-cupim para cada senador, afinal aqueles insetos geravam despesas. E viagens. E contrataram mais alguns diretores. O diretor geral de cupins e outras verbas com asas, mais um diretor para cada programa, como o Previdência Cupim, Bolsa-cupim, Fundo Pró-cupim, Plano Cupim na Escola, Força Nacional Inseticida e, claro, uns dois diretores para as garagens. De cupins. Além de outros cento e poucos sem funções definidas, mas fundamentais à lisura do processo.
Brasileiros que somos, perguntamos: e daí, qual o problema? Se havia cupins, bom o Senado investir na questão. Ele riu. O ladrão. O que fumava crack, arrombava casas e disse que seu sonho era chegar a Renan Calheiros. É um filão de dinheiro, esse negócio, ele disse. Tipo seca no nordeste. Terminar com o cupim no Senado mais caro do mundo? Só se acabarem com as caras-de-pau que os alimentam.
Ah, pois é. Difícil.

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